terça-feira, 26 de abril de 2011

Ex-Síndrome de Atlas

Atlas condenado por Zeus a carregar o mundo nas costas

Quando decidi pelo jornalismo, decidi também sonhar que mudaria muita coisa nesse mundo...

"Oi, tudo bem, o que aconteceu?"
É assim que - quase diariamente, começo o diálogo com as pessoas que procuram a empresa onde trabalho para relatar algum problema.
O filho viciado em crack, a mulher desaparecida, a mãe que se endividou para tornar seus filhos cracks, do futebol. São tantas histórias, tanta lamúria - que fica impossível de esquecer.

Depois de ouvir, rabisco no papel, levanto, me despeço e como numa ida ao psicólogo, me agradecem...pelo desabafo daquilo que ainda não foi solucionado.

 Em alguns casos, antes mesmo de escrever no meu bloquinho, já sei que nada vai se resolver. Mas fico, escuto. E não é por falta de vontade que não se faz nada. Geralmente, pelo desespero e burocracia de tudo, as pessoas preferem ir direto a um meio de comunicação. Pulando aqueles que realmente deveriam auxiliar e garantir os direitos do povo.

Às vezes é bem difícil não se envolver com essas histórias e pelo menos de longe ficar imaginando o desfecho ou a continuidade delas.

Conviver com tudo isso tem feito de mim uma pessoa muito menos egoísta e consciente - na hora de pensar em reclamar da vida. Experiências que me fazem uma filha, uma estudante, uma amiga, uma futura profissional infinitamente melhor.

E, claro, aos poucos estou caindo na realidade. Jornalista, definitivamente, não é super-herói e muito menos Deus Atlas. Aprendendo isso, tudo será mais fácil.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Remember

Precisei de dois copos de vodka com energético e alguns ensaios para, enfim, realizar o que eu premeditava. Não foi fácil. Pulei na frente dele como se não houvesse amanhã. No momento, como não sabia exatamente o que falar, o inconsciente buscou o assunto mais constante do meu dia-a-dia: trabalho/estágio.

E, no final, foi o que menos conversamos.

Frente à frente percebi o quanto tive forças para reprimir aquilo que ainda é evidente dentro de mim. Não vou ser hipócrita de dizer que gosto, amo da mesma forma. Mas, com certeza, o que sobrou, seria capaz de trazer a tona todo o sentimento de alguns anos atrás...

Algumas vezes imaginei como seria esse encontro. Mas é sempre diferente do que pensamos. 

Não pude esconder a felicidade de ver ele de perto. Aquele sorriso gigante que ofusca qualquer outro. Também não pude deixar de ter medo daquela situação, do 'pós-remember'.

Gostaria de dar mais detalhes e me permitir ser mais romântica, mas, alguns, prefiro guardar só pra mim. Como se fosse uma garantia da preciosidade, da importância que eles representam.

Naqueles minutos de carinho meu mundo parou. Não havia músicas, pessoas e muito menos alguém para dizer que aquilo não deveria acontecer. Uma paz interior me invadiu de um jeito que poucas vezes senti. Era disso que eu precisava: Vivacidade!

Ele foi especial, ele é especial. Eu sempre soube isso, porém, queria esquecer. Aos poucos tento trazer para consciência o que aquela cartomante falou.

Ainda bem que - hoje em dia, lido infinitamente melhor com os meus sentimentos. E ter tido essa experiência me mostrou que eu não devo trancar as mágoas num quarto escuro. Ter sido covarde e infiel com o que eu sinto me machucou por muito tempo.

Quanto à nós dois não sei o que vai acontecer ou se o que aconteceu já bastou. O que eu sei é que: estou tranquila, feliz, em paz!

"Por razões que desconheço, nossas aproximações foram sempre pela metadeInterrompidas. Um passo para a frente e cem para trás. RetrocessosDescaminhos. Procuro sinais de algum amor teu. Vestígios de noites passadas. Tu não me vês, estou incógnita a te observar. Como sempre estive, olhando pelas janelas, de longecoração apertadoNós poderíamos ser amigos e trocar confidências. Assistiríamos a filmes, taça de vinho nas mãos, e tu me detalharias as tuas paixões e desatinos. Nós poderíamos ser amantes que bebem champanhe pela manhã aos beijos num hotel em Paris. Caminharíamos pela beira do Sena, e eu te olharia atenta, numa tentativa indisfarçável de gravar o momento e guardá-lo comigo até o fim dos meus dias. Ou poderíamos ser apenas o que somos, duas pessoas com uma ligação estranha, sutilezas e asperezas subentendidas, possibilidades de surpresas boas. Ou não. Difícil saber. Bato minhas asas em retirada. Tu dormes, e nos teus sonhos mais secretos, não posso entrar. Embora queira. À distância, permaneço te contemplando. E me pergunto se, quem sabe um dia, na hora certa, nosso encontro pode acontecer inteiro. Porque tu és o único que habita a minha solidão." (CFA)



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