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| Atlas condenado por Zeus a carregar o mundo nas costas |
Quando decidi pelo jornalismo, decidi também sonhar que mudaria muita coisa nesse mundo...
"Oi, tudo bem, o que aconteceu?"
É assim que - quase diariamente, começo o diálogo com as pessoas que procuram a empresa onde trabalho para relatar algum problema.
O filho viciado em crack, a mulher desaparecida, a mãe que se endividou para tornar seus filhos cracks, do futebol. São tantas histórias, tanta lamúria - que fica impossível de esquecer.
Depois de ouvir, rabisco no papel, levanto, me despeço e como numa ida ao psicólogo, me agradecem...pelo desabafo daquilo que ainda não foi solucionado.
Em alguns casos, antes mesmo de escrever no meu bloquinho, já sei que nada vai se resolver. Mas fico, escuto. E não é por falta de vontade que não se faz nada. Geralmente, pelo desespero e burocracia de tudo, as pessoas preferem ir direto a um meio de comunicação. Pulando aqueles que realmente deveriam auxiliar e garantir os direitos do povo.
Às vezes é bem difícil não se envolver com essas histórias e pelo menos de longe ficar imaginando o desfecho ou a continuidade delas.
Conviver com tudo isso tem feito de mim uma pessoa muito menos egoísta e consciente - na hora de pensar em reclamar da vida. Experiências que me fazem uma filha, uma estudante, uma amiga, uma futura profissional infinitamente melhor.
E, claro, aos poucos estou caindo na realidade. Jornalista, definitivamente, não é super-herói e muito menos Deus Atlas. Aprendendo isso, tudo será mais fácil.
